Admito, tenho medo! Aliás, medo de muitas coisas.
Senti-me questionado pela Thaís Vieira: Por que ter medo do inevitável? É fato que o inevitável chegará.
Entretanto, mesmo sabendo disso, os temores continuam assombrando toda vez em que se tem de lidar com eles. Como eu receio me abrir por inteiro, perder a estabilidade conquistada depois de tanta luta para buscar sentido e significado em algo que nem tem mais sentido hoje.
Creio que a maioria dos jovens hoje enfrenta esse dilema. Semanas atrás conversava numa roda de amigos sobre sonhos e projetos de vida, uma amiga disse que tinha alguns sonhos e entre os principais estavam: trabalhar numa grande empresa (estabilidade, reconhecimento, independência e contribuir com algo), comprar um apartamento e casar-se. Parte desses sonhos já foram conquistados por ela e confesso que também tenho(ou tinha) esses sonhos e alguns já conquistei também, mas apesar disso vou além: Depois que eu conquistar tudo isso, o que me motivará a viver? Durante esse processo sempre me questionei: Será que não sonhei o que a sociedade (pais, amigos, religião, gurus, professores, internet, colegas etc) diz que é necessário para ser realizado?
De vez em quando vem aquela vontade de radicalizar, correr riscos, conhecer o mundo, abrir o coração, amar intensamente, resumindo, dar a cara a tapa e pagar pra ver.
Nestes momentos que surge o receio e o medo das dores e consequências: Me machucar? Abrir mão de tudo o que eu conquistei até aqui? Me demitir de um emprego onde a maioria das pessoas gostaria de estar? Passar um tempo fora e voltar sem empregabilidade? E se as escolhas forem enganos do meu coração? Teimar em algo irreal? Não ter casa própria? E se eu não corresponder as expectativas daqueles a quem amo?
Mesmo que eu arriscasse, depois de viver coisas diferentes seria cruel olhar para traz e perceber que fiz escolhas erradas, a estabilidade era muito mais importante pra mim, ver que outras oportunidades passaram, que ganho pouco, que perdi alguém que amava, que fui infantil etc.
Mas talvez o que mais me incomoda hoje é o medo de ser medíocre, descobrir que não valeu a pena, de me acomodar a uma estabilidade, as oportunidades passaram e eu não arrisquei, de ter relacionamentos entediantes, de não perceber a ação de Deus ao meu redor. No fundo, tenho medo de desperdiçar a minha vida e mesmo fazendo coisas que são julgadas legais e interessantes eu não me sinta realizado.
Esse mundo me assombra, a vida em aberto me dá medo, viver é realmente muito perigoso, como diria o Guimarães Rosa. Mas viver é preciso, escolhas precisam ser feitas. Quero sair da acomodação (que é muito fácil de ser aceita, as vezes é até gostosa, porém, é um veneno que mata aos poucos). Não quero mais da mesma vidinha de sempre, quero renovar os meus relacionamentos com as mesmas pessoas e me abrir aos novos, ter coragem mesmo diante da dúvida a respeito do futuro.
Tenho medo de mim mesmo, mas vejo uma pequena luz no fim do túnel e isso me dá esperança e ela cresce na medida que caminho em direção a ela, espero que não seja um trem.
Venha o que vier, sei que não estou sozinho apesar dos meus erros e decisões erradas, isso me traz esperança no caráter daquele que anda comigo.
P.S.: Detesto respostas simplistas.

4 comentários:
Amei suas palavras! Medo... medo... é normal. Mas as vezes dá aquela vontade de arriscar não é? Tudo na medida certa é claro.
As vezes gosto mto de pensar nessa frase: “Alguns homens vêem as coisas como elas são e dizem: por quê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: Por que não?”.
Queria poder escrever mais. Mas esse texto foi tão tão profundo, que é díficil refletir em apenas uma leitura! Precisarei de várias!
Beijos,Rizi
Oi Túlio, que belo texto!
Fez-me lembrar de 2 coisas:
Nossa conversa na primeira noite do CN, que a gente falou de planos, e tem algumas coisas que falamos que ainda fico pensando.
A segunda coisa que me lembrei foi de uma música de que gosto muito. Chama-se "Estrela de Chão" do Alexandre Andrés.
Parabéns pelo blog! Gostei mt
Oi Rizi, espero que não tenha sido um texto confuso, ultimamente minha cabeça está muito cheia e como te falei, preciso escrever pra “descarregar” ...hehehe
“Por que não?” é bom quando as respostas comuns não são suficientes pra preencher o anseios dos nossos corações, pelo menos é assim que me sinto.
P.S.: Te acopanhando no twitter, fico impressionado como vc consegue escrever constantemente no seu blog com toda essa correria da vida! Wow... Vc é frenética, no bom sentido, é claro!...hehehe
hehe vc foi um pouco confuso, mas como vc me disse 'se fez inteligivel',é bom colocar pra fora tudo que passa em nossa cabeça!
- Nem tenho escrito mto! hehe Mas consigo,pq vivo sempre conectada,é consequencia da minha (futura) profissão, tenho que estar sempre ligada! Nem sempre é facil, e as vezes eu fico mega confusa, mas Deus ajuda quem cedo madruga,eu!(rs que brincadeira boba).
Beijos,
Rizi
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