Segunda-feira, Agosto 09, 2010

Eu tenho medo

Admito, tenho medo! Aliás, medo de muitas coisas.
Senti-me questionado pela Thaís Vieira: Por que ter medo do inevitável? É fato que o inevitável chegará.
Entretanto, mesmo sabendo disso, os temores continuam assombrando toda vez em que se tem de lidar com eles. Como eu receio me abrir por inteiro, perder a estabilidade conquistada depois de tanta luta para buscar sentido e significado em algo que nem tem mais sentido hoje.
Creio que a maioria dos jovens hoje enfrenta esse dilema. Semanas atrás conversava numa roda de amigos sobre sonhos e projetos de vida, uma amiga disse que tinha alguns sonhos e entre os principais estavam: trabalhar numa grande empresa (estabilidade, reconhecimento, independência e contribuir com algo), comprar um apartamento e casar-se. Parte desses sonhos já foram conquistados por ela e confesso que também tenho(ou tinha) esses sonhos e alguns já conquistei também, mas apesar disso vou além: Depois que eu conquistar tudo isso, o que me motivará a viver? Durante esse processo sempre me questionei: Será que não sonhei o que a sociedade (pais, amigos, religião, gurus, professores, internet, colegas etc) diz que é necessário para ser realizado?
De vez em quando vem aquela vontade de radicalizar, correr riscos, conhecer o mundo, abrir o coração, amar intensamente, resumindo, dar a cara a tapa e pagar pra ver.
Nestes momentos que surge o receio e o medo das dores e consequências: Me machucar? Abrir mão de tudo o que eu conquistei até aqui? Me demitir de um emprego onde a maioria das pessoas gostaria de estar? Passar um tempo fora e voltar sem empregabilidade? E se as escolhas forem enganos do meu coração? Teimar em algo irreal? Não ter casa própria? E se eu não corresponder as expectativas daqueles a quem amo?
Mesmo que eu arriscasse, depois de viver coisas diferentes seria cruel olhar para traz e perceber que fiz escolhas erradas, a estabilidade era muito mais importante pra mim, ver que outras oportunidades passaram, que ganho pouco, que perdi alguém que amava, que fui infantil etc.
Mas talvez o que mais me incomoda hoje é o medo de ser medíocre, descobrir que não valeu a pena, de me acomodar a uma estabilidade, as oportunidades passaram e eu não arrisquei, de ter relacionamentos entediantes, de não perceber a ação de Deus ao meu redor. No fundo, tenho medo de desperdiçar a minha vida e mesmo fazendo coisas que são julgadas legais e interessantes eu não me sinta realizado.

Esse mundo me assombra, a vida em aberto me dá medo, viver é realmente muito perigoso, como diria o Guimarães Rosa. Mas viver é preciso, escolhas precisam ser feitas. Quero sair da acomodação (que é muito fácil de ser aceita, as vezes é até gostosa, porém, é um veneno que mata aos poucos). Não quero mais da mesma vidinha de sempre, quero renovar os meus relacionamentos com as mesmas pessoas e me abrir aos novos, ter coragem mesmo diante da dúvida a respeito do futuro.

Tenho medo de mim mesmo, mas vejo uma pequena luz no fim do túnel e isso me dá esperança e ela cresce na medida que caminho em direção a ela, espero que não seja um trem.

Venha o que vier, sei que não estou sozinho apesar dos meus erros e decisões erradas, isso me traz esperança no caráter daquele que anda comigo.

P.S.: Detesto respostas simplistas.

4 comentários:

Riziely disse...

Amei suas palavras! Medo... medo... é normal. Mas as vezes dá aquela vontade de arriscar não é? Tudo na medida certa é claro.
As vezes gosto mto de pensar nessa frase: “Alguns homens vêem as coisas como elas são e dizem: por quê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: Por que não?”.

Queria poder escrever mais. Mas esse texto foi tão tão profundo, que é díficil refletir em apenas uma leitura! Precisarei de várias!

Beijos,Rizi

Dani Lima disse...

Oi Túlio, que belo texto!
Fez-me lembrar de 2 coisas:
Nossa conversa na primeira noite do CN, que a gente falou de planos, e tem algumas coisas que falamos que ainda fico pensando.
A segunda coisa que me lembrei foi de uma música de que gosto muito. Chama-se "Estrela de Chão" do Alexandre Andrés.

Parabéns pelo blog! Gostei mt

Blog do Túlio disse...

Oi Rizi, espero que não tenha sido um texto confuso, ultimamente minha cabeça está muito cheia e como te falei, preciso escrever pra “descarregar” ...hehehe
“Por que não?” é bom quando as respostas comuns não são suficientes pra preencher o anseios dos nossos corações, pelo menos é assim que me sinto.

P.S.: Te acopanhando no twitter, fico impressionado como vc consegue escrever constantemente no seu blog com toda essa correria da vida! Wow... Vc é frenética, no bom sentido, é claro!...hehehe

Riziely disse...

hehe vc foi um pouco confuso, mas como vc me disse 'se fez inteligivel',é bom colocar pra fora tudo que passa em nossa cabeça!
- Nem tenho escrito mto! hehe Mas consigo,pq vivo sempre conectada,é consequencia da minha (futura) profissão, tenho que estar sempre ligada! Nem sempre é facil, e as vezes eu fico mega confusa, mas Deus ajuda quem cedo madruga,eu!(rs que brincadeira boba).

Beijos,
Rizi