Nossa... nunca pensei que um clima de despedida afetasse tanto o coração. Voltar ao lugar onde você passou cerca de quase 20 anos da sua vida, sua infância e adolescência traz um misto de tristeza, nostalgia e saudosismo.
Reencontrar dois amigos em seqüência numa mesma noite, foi demais.
A primeira, com novos dilemas em sua vida após tantas mudanças em tão pouco tempo, relembrar histórias vividas desde a 4ª série, perceber que muitos me achavam um CDF tímido foi hilário. Vidas que tomaram rumos diferentes, o carinha que era “o cara” hoje vive de favor na prefeitura, alguns que casaram, tiveram filhos(ou apenas tiveram filhos...hehehe), abriram um negócio, saíram da casa dos pais, outros que fingem não lembrar mais de nós, outros que sempre lembram das mesmas histórias...hehehe, alguns que são indiferentes, outros que marcaram nossas passagens na vida estudantil. Ah, são tantos encontros e desencontros. Fato é que, ela se tornou uma amiga que ficou para o resto da vida e independente do pouco contato, sei que posso contar com ela e ela comigo.
O segundo, o PV, melhor amigo da época, éramos vizinhos desde os 7 anos e foi amizade a primeira vista. Inteligente, esforçado e estudioso, um cara que valoriza muito a lealdade e vira o bicho quando mexem com pessoas que ele ama. Aliás, em relação a isso, continua o mesmo. Lembro que vivíamos planejando estratégias de como conquistar as meninas pelas quais éramos apaixonados, além de compartilhar os tocos e desilusões amorosas...hehehe. O cara era “o pegador”, confesso que algumas vezes o invejei. Fiquei surpreso ao saber do seu noivado, quem seria a guerreira que dobrou esse coração?...hehehe. Interessante, foi admitir que sua vida de “pegação” não tinha muito sentido e que ele tem de assumir algumas responsabilidades.
Estávamos nós ali, do mesmo jeito, como foi durante quase 15 anos, sentados no meio-fio em frente ao portão da minha casa, em frente a rua onde arrebentamos várias vezes o dedo jogando bola, queimado, vôlei, pique etc. (Cá entre nós, aquela rua era um sucesso por nossa causa, sempre inventávamos alguma coisa e a galera toda ia pra Padre Anchieta ver o que estava rolando).
Lembro também de quando eu contei história do povo de Israel em frente ao portão, e todo mundo lembra ainda! (muito tosco)
Apesar da distância, do tempo, de nos cruzarmos de vez em quando na rua nas raras vezes que eu voltava aquela pequena cidade, naquela madrugada a fora, voltamos a ser melhores amigos, abrindo o coração, se alegrando simplesmente por cada um ser quem foi e é hoje, bem como perceber que nossas vidas não tomaram os rumos dos nossos sonhos de infância, mas que valeu a pena cada momento que vivemos, brincamos e sonhamos juntos.
Sabe, foi um sábado à noite de alegria, confesso que chorei ao chegar em casa. É muita história, me fez perceber que a vida lá valeu a pena. Por outro lado, me fez perceber que eu poderia ter sorrido mais para alguns, parado pra conversar um pouco mais, insistido em alguns relacionamentos, abraçado mais, não deixar de falar o que senti em vários momentos.
Ganhei esperança, cresceu um pouco mais de coragem dentro de mim. Assim como tenho esses dois amigos de alma que independente do tempo e da distância continuamos sempre de onde paramos no último encontro, espero que minha alma esteja cada vez mais aberta aqueles que estão ao meu redor e as vezes nem percebemos o coração deles.
Se abrir é um risco muito grande, mas pra viver intensamente é preciso se entregar de corpo e alma sabendo quem você é e disposto a dar a cara a tapa pra se machucar. Ainda aprendo a amar de verdade!
Obrigado por este Natal, Senhor!

1 comentários:
rs é, se abrir não é algo fácil. Percebo q vc está disposto a boas mudanças, e creio que elas te farão mto bem!
Curta esses momentos de nostalgia, as vezes é Deus q te dá essa oportunidade de rever e repensar tantos momentos!
PS: amei a parte de q vc contou a história de Israel hehe
Beijão da Rizi
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